Peritos restauram túnica de Santo Ambrósio

© Foto: Sabine Schrenk
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Especialistas ligadas à universidade de Bona, Alemanha, estão a restaurar uma relíquia que é atribuída a Santo Ambrósio. Trata-se de uma valiosa túnica de fina seda que foi utilizada pelo santo na altura em que exerceu as funções de bispo da igreja católica na cidade de Milão, Itália.

Uma equipa de restauradoras e transportadores de arte e uma arqueóloga da Universidade de Bona estão a trabalhar para preservar o valioso tecido e, deste modo, mantê-lo em boas condições para que também possa ser fruído pela posteridade.

A igreja cristã  tinha nas relíquias importantes legados religiosos que depois, ao longo dos tempos, foram reverenciados pelos crentes. De entre as relíquias evocativas ou deixadas pelos santos também se incluem, por exemplo, os têxteis, as roupas que foram usados pelos canonizados durante a sua vida terrena.

Uma grande túnica de seda é atribuída a Santo Ambrósio,  o santo padroeiro da cidade de Milão, que viveu no século IV, e cujos restos mortais estão depositados na Basílica de “Santo Ambrósio”, em Milão, Itália.

“As roupas de seda que são veneradas como relíquias do santo também incluem uma túnica requintadamente bela”, diz Sabine Schrenk do departamento de Arqueologia Cristã da Universidade de Bona, Alemanha. O peso do tempo deixou as suas marcas no valiosos têxtil porque ao longo deste tempo todo nunca foi possível realizar o trabalho de preservação adequado e necessário à manutenção de peças como esta. A túnica de seda foi armazenada em Milão por muitos anos sob um vidro pesado, com cerca de 80 quilos.”

O vidro foi projetado para proteger a relíquia”, relata Sabine Schrenk. “No entanto, o tecido de seda criou enrugados e o grande peso da vidraça causou efeitos negativos sobre as fibras centenárias”, salienta a especialista.

Por isso preservar esta peça era um grande desafio. Como poderia o vidro ser removido de cima do tecido de seda sem danificar ou rasgar as fibras que ao longo dos séculos aderiram a ele? Como Sabine Schrenk e a restauradora de têxteis Ulrike Reichert já haviam preservado com êxito numerosos tecidos de seda em “Santo Ambrósio”, ambas as especialistas consideram que esta tarefa tão complicada poderia, efetivamente, ter sucesso.

Schrenk e Reichert elaboraram então um plano com os responsáveis da basílica,  Erminio de Scalzi e Monsignore Biaggio Pizzi, bem como com os curadores de monumentos da diocese e da cidade, Dr. Carlo Capponi e Dr. Antonella Ranaldi, e deitaram assim mãos-à-obra.

A empresa transportadora de arte também desempenhou neste processo um papel importante. Acostumados ao transporte de pinturas e esculturas de grandes dimensões e peso, os especialistas liderados por Fabiano Panzironi assumiram a difícil tarefa de transportar e levantar um antigo e pesado vidro que ao longo do tempo foi aderindo ao tecido.

A túnica de seda, que esteve armazenada num armário de gaveta na galeria de “Santo Ambrósio” possui uma impressionante dimensão, medindo 170 x 280 centímetros. Como o local de armazenamento do tecido se revelou inadequado para o trabalho de preservação, os transportadores empacotaram as vidraças com a valiosa carga entre duas estruturas feitas de madeira e a enorme obra foi então levada verticalmente ao longo dos corredores mais estreitos e sinuosos para o arquivo da basílica, que se transformou numa oficina de restauro improvisada durante aproximadamente um mês. “Esse transporte era altamente arriscado”, relata a restauradora Ulrike Reichert. Em alguns lugares, os transportadores de arte tiveram que avançar milímetros por milímetro para garantir que o transporte da relíquia fosse bem sucedido.

Instalados na oficina de restauro improvisada, o vidro e a sanduíche de madeira que fez face ao transporte foram então retirados. O momento mais delicado desta operação estava agora iminente e a maior angústia centrava-se, sem dúvida, na operação em que o vidro superior seria levantado, porque não havia certeza se tal ato pudesse rasgar a túnica. Com muito cuidado, os especialistas levantaram o painel milímetro a milímetro, centímetro a centímetro de forma a que  as fibras de seda permanecessem intactas.

Depois de conseguido com sucesso, o valioso tecido ficou finalmente acessível para a aplicação das necessárias técnicas de preservação. As fibras finas de seda foram cuidadosamente libertadas da poeira e a valiosa peça foi finalmente protegida contra as influências ambientais com um vidro acrílico leve. “O sucesso mostra que era correto correr o risco”, diz Sabine  Schrenk. “A grande equipa conseguiu superar este desafio juntos.” O projeto foi patrocinado pela Fundação Gielen-Leyendecker.

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