‘Pense globalmente, aja localmente’

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Na minha acção tenho sempre presente os princípios de Jane Goodall, e sobretudo a sua grande máxima: “Pense globalmente, aja localmente”.

As palavras da senhora Goodal inserem-se numa praxis conservacionista e activista que concebe a mais pequena manifestação de vida em função de uma estrutura e de uma orgânica biológica solidária e planetária. Todos sabemos que a natureza tem essa fabulosa capacidade de se reestruturar, de se adaptar, de se recriar, contudo, essa aptidão tem alguns limites e são já hoje bem evidentes os malefícios para a natureza e para o planeta a lógica económica, destrutiva e pouco sustentável que actualmente domina este nosso mundo capitalista.

As terríveis transformações que se operaram a partir da Segunda Guerra Mundial, sobretudo nos países da Europa Central e do Norte, no Japão e nos EUA, são sem dúvida alguma as causas mais evidentes de um processo destrutivo do nosso ambiente e, por consequência, do futuro onde se incluí a vida dos nossos filhos. Em pouco tempo o petróleo e as restantes fontes de energia prepararam o aparecimento de um novo homem. Um homem mais consumista, mais individualista, mais materialista, mais egoísta, mais poluidor. A esse homem designaram-no de evoluído e puseram-no a habitar num mundo de inacreditável e supérfluo conforto.
De um momento para o outro, na sociedade e na cultura, passou apenas a valer as cotações na bolsa, o dinheiro, o imediato, o presente, o agora, a hipócrita aparência… De um momento para o outro, na sociedade e na cultura, passou apenas a valer as cotações na bolsa, o dinheiro, o imediato, o presente, o agora, a hipócrita aparência… e assim se foi esquecendo o futuro, a nossa inequívoca dimensão espiritual, e sobretudo a noção de um tempo outro, aquele outro tempo que virá e onde serão criados os filhos de nossos filhos e os filhos dos filhos dos nossos filhos.

Uma exagerada ganância entranhou-se no comportamento humano, e metodicamente transformou-se no epicentro onde actualmente radicam todas as suas (grandes) decisões. Este individualismo materialista começa agora a ter consequências sérias, mas mesmo assim nada ou quase nada está a ser feito para remediar a situação.

As chuvas ácidas, o efeito de estufa, a destruição da camada do ozono, a extinção de espécies, as alterações climáticas e a maior incidência de doenças fatais são apenas alguns exemplos dos sintomas que anunciam um planeta enfermado, o mesmo planeta que pertence a todos os seres vivos, onde habitam biliões de espécies sem culpa alguma e onde também coexiste o único e grande culpado por esta gradual destruição: aquele bicho superiormente inteligente e que orgulhosamente designamos por ser humano.

Na senda e na aprendizagem de alguns conceitos da primatóloga Jane Goodall, mas sobretudo porque estas e tantas outras questões ambientais me preocupam, é que eu também me assumo como um conservacionista; um “partidário” incondicional do “pensar globalmente para agir localmente”, porque só assim, só com o compromisso de cada um poderemos travar a doença que começa a carcomer o planeta.

É urgente fazermos uma introspecção séria sobre o nosso enquadramento na natureza e começar desde já a colocar em prática pequenos gestos quotidianos que, embora insignificantes em cada um de nós, multiplicados por todos, dariam um excelente contributo para aquietar a doença.

Vou dispensar a enumeração desses pequenos gestos, porque tenho a garantia absoluta que todos sabem quais são. O importante é termos a consciência da responsabilidade e da obrigação de garantir o equilíbrio da natureza, mas sobretudos termos a clara noção de que por causa do futuro dos nossos vindouros não temos o direito de utilizar egoisticamente e indiscriminadamente os recursos do presente em prol deste nosso efémero individualismo.

Pense nisto, mas sobretudo pense nos seus filhos, pense nos seus netos, pense nos seus bisnetos. E já agora, pense globalmente e aja localmente! E para começar, porque não vai hoje ao mercado a pé – ou de bicicleta – e não começa a utilizar com natural habitualidade os Ecopontos da sua terra?!

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