Namoro com 100 milhões de anos ficou aprisionado no âmbar

Podendo parecer insignificante, a verdade é que uma descoberta como esta tem um significado gigantesco, uma vez que habilita a ciência numa procura extraordinária de pormenores comportamentais, indispensáveis para percebermos o processo evolutivo das espécies animais que habitam o nosso planeta.

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Todos sabemos. O namoro e o galanteio não é um comportamento exclusivo da espécie humana, ele estende-se a quase todas as espécies animais e as libelinhas não são exceção.

Os comportamentos de cortejamento que frequentemente se poderão observar entre os insetos modernos, deixaram traços fósseis extremamente raros num âmbar recentemente encontrado na Birmânia.

Entre os odonatos, que é o mesmo que dizer entre as libélulas e libelinhas, o macho deve persuadir a fêmea para a acoplação e a fêmea deve estar disposta a essa tarefa, o que nem sempre acontece.

Muitos odonatos territoriais exibem um cortejar expresso em batidas de asa de alta frequência em direção a uma fêmea que geralmente promove um movimento de aproximação tímido, mas que se vai desenvolvendo de forma crescente.

Isso podemos nós perceber nos dias de hoje se num dos nossos passeios de fim-de-semana nos ocuparmos com essa observação num qualquer sítio ribeirinho onde as libelinhas proliferem.

Mas como era esse comportamento há milhões de anos atrás? A maior parte do namoro, do acasalamento e do comportamento social e sexual destas espécies não podem ser preservados e os relatórios fósseis são poucos, escassíssimos e muito ambíguos.

Ora, é aqui que entra em cena a história recente do Dr. Zheng Daran e do Prof. Wang Bo, do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, da Academia Chinesa de Ciências.

Estes investigadores descreveram um antigo comportamento de namoro entre as libelinhas a partir de um registo fóssil guardado num âmbar birmanês do Cretáceo médio, com mais de 100 milhões de anos.

Estas descobertas fornecem sugestivos dados sobre os comportamentos iniciais que precedem o acasalamento das libélulas e libelinhas, num período em que os dinossauros ainda habitavam e proliferavam por todo o planeta.

Podendo parecer insignificante, a verdade é que uma descoberta como esta tem um significado gigantesco, uma vez que habilita a ciência numa procura extraordinária de pormenores comportamentais, indispensáveis para percebermos o processo evolutivo das espécies animais que habitam o nosso planeta.

Esta pesquisa foi publicada recentemente num Relatório Científico que teve o apoio da National Science Foundation da China, da Academia Chinesa de Ciências e do HKU Seed Funding Program for Basic Research.

 

 Referência:
Extreme adaptations for probable visual courtship behaviour in a Cretaceous dancing damselfly
Daran Zheng, André Nel, Edmund A. Jarzembowski, Su-Chin Chang, Haichun Zhang, Fangyuan Xia, Haoying Liu & Bo Wang
Scientific Reports 7, Article number: 44932 (2017)
doi:10.1038/srep44932

 

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