Fósseis polínicos revelam o processo de deslocalização das plantas na terra

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O clima está a mudar. Isto é uma constatação empírica. Todos nos apercebemos de que existe um processo lento de transformação dos períodos de chuvas, de frio e de calor. Uma nova realidade para a qual não estamos habituados chegará em breve, e com ela uma nova redistribuição das plantas pelo planeta.

Os cientistas prevêem que até 2050 se operará um conjunto de mudanças significativas na distribuição de plantas na Terra. A previsão é feita por investigadores do Centro de Macroecologia, Evolução e Clima da Universidade de Copenhaga, com base no pólen fossilizado. O pólen das plantas que fossilizou ao longo de milhares de anos é agora utilizado como um precioso documento, com vista a recriar e a perceber as alterações registadas na flora e na vegetação ao longo do curso da história do planeta, e com isso prever ou minorar os impactos que serão esperados para o decurso deste século devido às mudanças climáticas que já estão em curso.

O estudo foi publicado na Revista Nature  e os cientistas usam o pólen fossilizado para examinar e prever o futuro da biodiversidade na terra sob as mudanças climáticas. Profundas mudanças se avizinham na distribuição das plantas em todo o mundo. Esta é a conclusão de uma equipa de investigadores  liderada pelo professor David Nogués-Bravo.

Num futuro não muito distante, os nossos netos poderão viver em paisagens completamente diferentes das que conhecemos hoje. Eles vão ter novas espécies florestais, enquanto as que agora existem poderão desaparecer por completo.

Esta previsão parece um pouco catastrofista, mas resulta da recolha de uma série de registos polínicos de plantas que viveram entre os 20.000 anos atrás e o presente. Durante este tempo, as camadas de gelo derreteram em massa e as temperaturas globais aumentaram de 4 a 5 graus, números semelhantes aos aumentos de temperatura previstos para este século.

Este registo fóssil, cuja série foi publicada na revista Nature , fornece-nos um modelo natural para estudar as respostas das espécies às mudanças climáticas, verificando-se, segundo esta equipa de investigadores, que durante este período se processou uma transformação dos ecossistemas terrestres e marinhos em quase todas as regiões que integram o planeta. É baseado nestas reconstituições que os cientistas da Universidade de Copenhaga projetam mudanças profundas e semelhante em toda a terra. O nossos netos poderão ser os primeiros a viver dentro dessa nova realidade.

Referência: “Amplified plant turnover in response to climate change forecast by Late Quaternary records“.
D. Nogués-Bravo, S. Veloz, B. G. Holt, J. Singarayer, P. Valdes,B. Davis, S. C. Brewer, J. W. Williams & C. Rahbek.
Nature Climate Change (2016) doi:10.1038/nclimate3146 
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