Autismo poderá ter contribuído para o sucesso evolutivo do ser humano

Um estudo bastante interessante, que relaciona o autismo com o processo de evolução humana, foi recentemente publicado no Jornal “Time and Mind ”, apresentando os resultados de um processo de investigação científica de uma equipa de arqueólogos da Universidade de Iorque, Inglaterra.

Uma mudança bastante significativa poderá ter ocorrido na história da evolução humana a partir de há cerca de 100.000 anos, levando a uma alteração de grande significado no comportamento social, permitindo que as pessoas que pensavam ou se comportavam de maneira diferente como, por exemplo, os indivíduos com autismo, fossem integrados na sociedade num processo de relação humana designado por “moralidade de colaboração” ou “moralidade colaborativa”.

Tratou-se, segundo os investigadores da Universidade de Iorque, de um processo que apostou numa relação de bem-estar de todos os indivíduos dentro de um grupo, o que possibilitou que as pessoas que apresentavam traços autistas, ou quaisquer outros comportamentos fora do padrão, tivessem sido aceites, respeitados e as suas aptidões específicas utilizadas em prol do benefício coletivo.

Os investigadores Penny Spikins, Barry Wright e Derek Hodgson, consideram neste seu trabalho de investigação o autismo com uma longa história genética e um processo evolutivo de longa duração. Durante os primórdios da organização social da humanidade, essas pessoas, ao invés de serem deixada para trás, eram integradas e o seu papel valorizado devido às suas aptidões e talentos particulares.

Penny Spikins, professor de arqueologia da origem humana na Universidade de Iorque e co-autor do estudo, sublinhou que a diversidade e variedade das caraterísticas de todas as pessoas, do coletivo, era muito mais importante e foi muito mais importante no processo evolutivo do ser humano do que as caraterísticas individuais consideradas isoladamente.

“Foi a diversidade entre as pessoas que levou ao sucesso da humanidade e isto é particularmente importante, pois permitiu ao grupo diferentes funções especializadas. Nós estamos a desenvolver a hipótese de que é o aumento da moralidade colaborativa que levou à possibilidade de alargar a diversidade da personalidade humana”, sublinhou Spikins.

Muitas pessoas com autismo têm habilidades de memória excecionais, uma perceção intensificada e muito mais desenvolvida ao nível da visão, paladar e olfato e também uma maior compreensão dos sistemas naturais, tais como o comportamento animal, por exemplo.

A incorporação de algumas dessas aptidões numa comunidade poderá ter desempenhado um papel vital no desenvolvimento de especializações dentro de um grupo nómada, com uma economia baseada na caça e na recoleção.

O trabalho de Penny Spikins, Barry Wright e Derek Hodgson é muito interessante e coloca-nos perante uma temática de investigação que tem muito a ensinar às sociedades do nosso tempo.

 
Referência:
Are there alternative adaptive strategies to human pro-sociality? The role of collaborative morality in the emergence of personality variation and autistic traits
Penny Spikins, Barry Wright & Derek Hodgson
http://dx.doi.org/10.1080/1751696X.2016.1244949  
Comentários
Loading...