A pesca tradicional no rio Douro (Concelho de Carrazeda de Ansiães)

A pesca tradicional no rio Douro sempre foi um complemento económico para algumas famílias que habitavam a zona ribeirinha.

O barco em madeira era o instrumento fundamental do pescador, sendo usado para a pesca e também como o único meio que permitia a comunicação entre as várias comunidades que habitavam as margens do rio. Este barco era de fácil manuseamento, sendo impelido por dois remos movimentados por um homem (remador) que de pé em frente à proa dirigia a embarcação por entre os inúmeros obstáculos, assoreamentos e rápidos que integravam o leito deste curso de água antes de ser represados pelas barragens.

A proliferação destas barcas ou barcos de passagem era uma constante ao longo do curso fluvial, uma vez que eram eles, dado o reduzido número de pontes, que permitiam a ligação entre margens.
A pesca surgia neste contexto como um suplemento ou complemento económico com alguma rentabilidade. O barqueiro, além de atravessar pessoas e bens entre quintas e lugares, também era habitual dedicar-se à pesca.
Ao cair da noite as redes eram lançadas no rio, em lugares estratégicos e previamente seleccionados, para no início da madrugada serem recolhidas. Ainda antes do meio-dia o peixe era distribuído pelas redondezas e consumido frito ou em modo de escabeche pelas famílias que habitavam as povoações junto ao rio Douro.

Ainda hoje assim é. O já reduzidíssimo número de pescadores que pratica o lançamento das redes em embarcações tradicionais continua a vender o seu peixe entre a escassa população dos aglomerados locais, mas o mais habitual é encontrarmos alguns restaurantes que o confeccionam e o comercializam frito com piri-piri ou envinagrado num molho onde abunda a cebola.

As imagens deste vídeo foram recolhidas no concelho de Carrazeda de Ansiães e constituem um dos poucos testemunhos ainda existentes desta antiga actividade . O vídeo está disponível no sistema multimédia do Museu da Memória Rural de Vilarinho da Castanheira onde pode ser visualizado em alta qualidade e em ecrãs de grande dimensão, constituindo um complemento visual ao discurso museográfico produzido para este ofício tradicional.

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