A Arqueologia continua na busca das origens da desigualdade social

Muitos são os assuntos que a arqueologia, na sua busca constante, tenta compreender para daí poder extrair algum conhecimento de utilidade prática para as sociedades de hoje

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A Arqueologia é uma ciência que envereda sempre pela tentativa de compreensão dos mais diversificados temas que definiram ou afetaram a vida dos homens ao longo dos milénios. Já aqui referimos a utilidade de algumas investigações arqueológicas para posicionarem a atitude humana ao longo do tempo face a diversas vicissitudes como, por exemplo, as alterações climáticas  ocorridas e frequentemente documentadas ao longo do processo de evolução da humanidade. Muitos são os assuntos que a arqueologia, na sua busca constante, tenta compreender para daí poder extrair algum conhecimento de utilidade prática para as sociedades de hoje.

As origens da desigualdade social foi um assunto sempre presente entre os investigadores em arqueologia, principalmente entre os investigadores marcados pela teoria da escola histórica marxista. O tema não é novo, podendo afirmar-se que é mesmo recorrente e que está sempre a surgir com novas roupagens teóricas na interpretação do documento material.

Desta vez é um artigo publicado recentemente na Revista Nature que coloca novamente a questão das origens da desigualdade social em debate. Anna Prentiss, professora do Departamento de Antropologia da Universidade de Montana, vem agora defender que as origens da desigualdade social podem também ser doumentadas a aprtir dos vestígios materiais das antigas sociedades agrícolas da Eurásia.

Num artigo intitulado  “Greater post-Neolithic wealth disparities in Eurasia than in North America and Mesopotamia ” , Prentiss explica que à medida que as pessoas se tornaram sedentárias e adotaram uma economia agrícola, os ricos tornaram-se mais ricos, já que os antigos agricultores que podiam possuir bois, gado e outros animais de grande porte foram podendo aumentar os níveis da sua produção e gerar excedente.

Esse excedente proporcionou, por sua vez, a oportunidade de transmitir riqueza entre gerações e dessa forma fomentar uma desigualdade social baseada na riqueza doméstica. Essa realidade, segundo Anna Prentiss, foi muito mais dinâmica nos contextos sociais do Velho Mundo, nomeadamente na Eurásia.

Este estudo baseia-se em dados recolhidos por uma equipa de investigação que estudou 63 sítios arqueológicos em quatro continentes, datados entre 9000 aC e 1500 . É um dos primeiros estudos a usar dados arqueológicos para medir a desigualdade entre famílias de locais do Velho e do Novo Mundo .

 

Referência:
Greater post-Neolithic wealth disparities in Eurasia than in North America and Mesoamerica
Timothy A. Kohler, Michael E. Smith, Amy Bogaard, Gary M. Feinman, Christian E. Peterson, Alleen Betzenhauser, Matthew Pailes, Elizabeth C. Stone, Anna Marie Prentiss, Timothy J. Dennehy, Laura J. Ellyson, Linda M. Nicholas, Ronald K. Faulseit, Amy Styring, Jade Whitlam, Mattia Fochesato, Thomas A. Foor & Samuel Bowles
Nature: doi:10.1038/nature24646 

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